A cada ano mais de 12,7 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com câncer. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 500 mil novos casos da doença para este ano.
O tratamento do câncer é feito por meio de cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou transplante de medula óssea. O desafio é encontrar o tratamento mais eficaz com os menores efeitos colaterais. O Cirurgião Dentista, deve participar nas fases pré, trans e pós-tratamento oncológico. Antes de iniciar um tratamento oncológico, toda pessoa deve consultar um Cirurgião Dentista capacitado, realizar uma avaliação clínica e radiográfica de toda a boca e tratar todo e qualquer foco de infecção.
Infelizmente, hoje, os pacientes são encaminhados para o Cirurgião Dentista para o tratamento das manifestações orais após um sofrimento desnecessário. O conceito de que as manifestações orais sejam apenas uma consequência do tratamento quimio ou radioterápico do câncer e que uma vez superada esta fase, o quadro se normaliza com o desaparecimento de todos aqueles sintomas colabora para este quadro. Diversas alterações bucais decorrentes do tratamento e não da doença em si podem acometer o indivíduo com câncer. Elas provocam manifestações orais graves como mucosite, xerostomia, infecção bacteriana, fúngica e viral, trismo e as osteonecroses, comuns após o uso de bifosfonatos ou radioterapia de cabeça e pescoço.
Para melhor atender e ajudar os pacientes em tratamento do câncer, o Cirurgião Dentista deve estar habilitado para diagnosticar, prevenir, controlar e tratar as complicações orais que surgem durante as diversas etapas do tratamento oncológico. Porém, o número de profissionais que se dedicam ao tratamento das manifestações orais em pacientes oncológicos é insuficiente, principalmente quando comparados com o total de médicos oncologistas e a alta incidência de câncer na nossa população. Outro problema é que a maioria dos hospitais e das clínicas oncológicas não dispõe ou não pratica protocolos adequados de prevenção e tratamento das manifestações bucais decorrentes do tratamento antineoplásico.
Matheus Piardi Claudy / CRO 14719
Especialista em Estomatologia
FONTES:
https://www.vencerocancer.org.br/…/pacientes…
/http://www.apcd.org.br/…/importancia-do-cirurgiao…




O artigo do Dr. Matheus Piardi Claudy destaca, com razão, a importância vital do cirurgião-dentista em todas as fases do tratamento oncológico, desde a prevenção de “sofrimento desnecessário” até o manejo de complicações sérias como mucosite e osteonecroses. No entanto, levanta-se a questão: se a presença do dentista é tão crucial para evitar essas manifestações e se o conceito de que são “apenas uma consequência” colabora para o problema, por que essa integração ainda parece ser uma exceção e não a regra? Será que a comunidade médica e os próprios pacientes ainda subestimam o impacto da saúde bucal no tratamento sistêmico do câncer, mesmo diante de evidências claras?
O texto aponta duas barreiras significativas para a melhoria do cenário: o “número de profissionais que se dedicam ao tratamento das manifestações orais em pacientes oncológicos é insuficiente” e a falta de “protocolos adequados de prevenção e tratamento” em hospitais e clínicas. É compreensível que a demanda seja alta, dado os “500 mil novos casos da doença” estimados para este ano no Brasil. Mas, não seria o caso de investigar mais a fundo o que impede a formação e o engajamento de mais dentistas nesta área e a implementação desses protocolos? Seria uma questão de falta de reconhecimento do papel do especialista em estomatologia, de recursos financeiros, ou talvez de um gargalo na formação contínua desses profissionais?
Considerando a gravidade das “diversas alterações bucais decorrentes do tratamento e não da doença em si”, é imperativo que a solução vá além de apenas esperar que mais profissionais “sejam habilitados”. Talvez a abordagem precise ser mais sistêmica, promovendo uma maior integração curricular nas faculdades de medicina e odontologia, além de políticas públicas que incentivem a criação de equipes multidisciplinares mais robustas nos centros oncológicos. Afinal, a simples conscientização da importância, como o artigo faz muito bem, parece não ter sido suficiente para reverter o quadro de “sofrimento desnecessário” que, infelizmente, ainda persiste.
O artigo ressalta a importância vital do cirurgião-dentista desde o pré-tratamento oncológico, visando prevenir manifestações orais graves que afetam a qualidade de vida dos pacientes. É preocupante a constatação de que, frente aos 500 mil novos casos de câncer anuais no Brasil, a falta de profissionais e protocolos adequados ainda leva a um sofrimento desnecessário e evitável. A integração plena desse especialista é fundamental para um cuidado mais humanizado e eficaz.
O artigo do Dr. Matheus Piardi Claudy elucida a lacuna crítica na integração do Cirurgião-Dentista na jornada terapêutica de pacientes oncológicos, um dilema evidenciado pela alta incidência de câncer – 12,7 milhões globalmente e 500 mil no Brasil, segundo o Inca. A premissa de que as manifestações orais são “apenas uma consequência” do tratamento antineoplásico, em vez de condições passíveis de manejo proativo, subestima o impacto devastador de morbidades como mucosites, xerostomia e osteonecroses associadas a bifosfonatos ou radioterapia. A ausência de uma propedêutica bucal rigorosa pré-tratamento e a carência de profissionais habilitados, somadas à falta de protocolos institucionalizados, conforme o texto aponta, perpetuam um sofrimento desnecessário e podem comprometer a continuidade da terapia sistêmica. É imperativa uma abordagem multidisciplinar que incorpore o especialista em Estomatologia desde a fase inicial, visando à prevenção e ao manejo precoce dessas complicações para otimizar o prognóstico e a qualidade de vida do paciente.